martes, 27 de septiembre de 2016



NA TERRA DOS AVEJÕES

Fiz um canto com pedras,
um santuário verde no meio da cidade morta.
Trouxe madeiras e novas ervas
onde meus gatos praticam o esgrima com destreza,
e o cão se lembra
da última festa na savana ancestral.
Pousam-se, dias sim, dias não, beija-flores astronautas,
sedentos dos manacás, lacerados e confusos,
enchidos da língua eréctil.
Meus felinos cobiçam seus voos flutuantes
 de agitada esmeralda ingênua,
como caída nos seus lábios
direto do céu generoso.
No meu canto há espaços para os duendes e avejões,
que só aparecem pela noite
 nas sombras que faz a candeia entre a folhagem,
ou nas fendas dos velhos e embolorados troncos.
Quando a manhã chega,
 os insetos,
que desafiam a física dos tamanhos,
destecem suas lânguidas patas
como se os galhos secos
 nascessem à vida,
e vão embora, ainda noctâmbulos,
à espera de outra luz que guie seus rituais zambos.
Nesse mundo não há horas sem sortilégios:
hoje surgiu, no brilho das asas de um besouro gigante,
talvez da mamangava,
mais um dia branco e absoluto, na cidade morta,
que jaz em mim. 



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